O que é a dentadura fixa com 4 pinos
Quando alguém procura a clínica falando em "dentadura fixa com 4 pinos", quase sempre está falando da prótese protocolo. O nome técnico não ajuda muito, então vale traduzir.
Os pinos são implantes: pequenos parafusos de titânio instalados dentro do osso da arcada, no lugar onde ficavam as raízes dos dentes. Depois que o osso cicatriza em volta deles, esses implantes servem de apoio para uma peça única, com todos os dentes daquela arcada, que é parafusada ali.
O resultado é uma prótese que você não tira. Ela não fica boiando sobre a gengiva, não precisa de pasta fixadora e não sai da boca enquanto você come. Só a dentista solta a peça, e apenas nas consultas de manutenção.
A diferença para a dentadura comum
A dentadura tradicional se apoia na gengiva e no céu da boca. É por isso que ela machuca, escorrega e vai ficando mais folgada com os anos: a gengiva muda de forma, e a dentadura continua a mesma.
A prótese protocolo muda a lógica. Como o apoio dela é o osso, e não a gengiva, a força da mastigação vai para onde ia antes, quando você tinha dentes. Na prática, três coisas costumam mudar no dia a dia de quem faz a troca:
- Mastigação. Alimentos que a dentadura não deixava comer, como carne e frutas mais duras, voltam a ser possíveis. A força não é a de um dente natural, mas é bem maior que a de uma prótese solta.
- Fala. Muita gente com dentadura fala com medo de a peça se mexer. Com a prótese fixa esse cuidado deixa de ser necessário.
- Céu da boca. Na prótese superior fixa é possível liberar o céu da boca, o que devolve o paladar e a sensação de temperatura da comida, algo que a dentadura completa costuma atrapalhar.
Por que às vezes são 4 pinos e às vezes 6
Quatro implantes ficou famoso porque é uma configuração bastante usada. Mas ele não é uma regra, e quem promete um número antes de olhar a sua boca está adivinhando.
O que define a quantidade é quanto osso existe e como ele está distribuído. Quem perdeu os dentes há pouco tempo costuma ter mais osso disponível. Quem usa dentadura há quinze ou vinte anos normalmente perdeu altura e espessura de osso, porque sem raiz o corpo vai reabsorvendo aquela região.
Na arcada de baixo, o osso costuma ser mais denso, e quatro implantes com boa distribuição resolvem muitos casos. Na de cima, o osso é mais macio e existe o seio maxilar logo acima, então não é raro o planejamento pedir seis. Nada disso é opinião: aparece na imagem.
Na avaliação é feito um exame de imagem antes de qualquer proposta. É ele que mostra a altura do osso, a espessura, a posição do nervo e do seio maxilar. Sem essa imagem, qualquer número de implantes e qualquer valor são chute.
Como saber se serve para o seu caso
A prótese protocolo costuma ser considerada quando a pessoa já perdeu todos ou quase todos os dentes de uma arcada. Se ainda restam vários dentes saudáveis, muitas vezes existem caminhos melhores, como implantes individuais ou uma prótese parcial.
Também entram na conta a saúde geral, o controle de doenças como diabetes, o hábito de fumar e a saúde da gengiva. Nada disso costuma ser um "não" automático, mas muda o planejamento e o cuidado antes e depois da cirurgia. Escrevemos sobre isso em quem não pode fazer implante dentário.
Se você usa dentadura há muitos anos, vale ler também sobre enxerto ósseo, porque é a situação em que ele aparece com mais frequência.
As etapas do tratamento
Muda de caso para caso, mas o caminho costuma ter estes momentos:
- Avaliação com exame de imagem. É quando se descobre o que existe hoje, quantos implantes cabem e o que precisa ser resolvido antes.
- Preparo. Às vezes é preciso tratar a gengiva, remover raízes que sobraram ou fazer enxerto. Essa etapa não existe em todo caso.
- Cirurgia de instalação dos implantes. Feita com anestesia local, no consultório. Falamos sobre a dor em implante dentário dói?
- Cicatrização do osso. O osso precisa se integrar ao implante. É a etapa que não dá para apressar, e é por isso que a clínica não promete sorriso pronto em poucas horas. Veja quanto tempo leva o tratamento.
- Instalação da prótese definitiva. A peça é feita sob medida, provada e ajustada até a mordida ficar confortável.
- Manutenção. Retornos periódicos para revisão, higienização profunda e ajuste. Isso não acaba: é o que faz o trabalho durar.
Dúvidas que a gente escuta na clínica
Dá para tirar para dormir?
Não, e essa é justamente a ideia. A prótese protocolo é parafusada e fica na boca o tempo todo. Quem quer poder remover a peça em casa está falando de outro tipo de trabalho, a chamada overdenture, que também se apoia em implantes mas é removível.
E se um implante falhar?
Pode acontecer, como em qualquer procedimento cirúrgico. Por isso existem os retornos: quanto antes um problema é notado, mais simples é resolver. É também por isso que vale saber quem vai te acompanhar depois que a prótese ficar pronta, e não apenas quem vende o tratamento.
Fica com cara de dentadura?
A peça é feita sob medida, com escolha de formato e cor dos dentes junto com o paciente. O objetivo é um resultado que combine com o rosto e com a idade da pessoa, não um sorriso padronizado.
Quanto custa?
O valor depende de quantos implantes o seu caso pede, do material da prótese e do que precisa ser feito antes. Por isso ele é fechado depois da avaliação, com o plano por escrito e as condições de pagamento explicadas com calma. Preço passado por telefone, sem ver a sua boca, costuma mudar depois.
Este texto tem finalidade informativa e não substitui uma consulta. Cada boca é diferente, e só o exame clínico com imagem mostra o que serve para o seu caso.
Dra. Glidislene SalvadorCirurgiã-dentista responsável pela Odonto Gline, em Santa Maria, DF. Atende no mesmo endereço há 18 anos, com foco em implante dentário e prótese protocolo.