Por que o osso some
O osso da arcada existe para sustentar raiz de dente. Enquanto você mastiga, a raiz transmite força para o osso, e essa força é o sinal que mantém aquela região viva e cheia.
Quando o dente sai, o sinal para. O corpo entende que aquele osso deixou de ter função e vai reabsorvendo a região aos poucos. A perda é mais rápida no primeiro ano depois da extração e continua devagar pelos anos seguintes.
É por isso que quem usa dentadura há muito tempo costuma ter o rosto mudado: os lábios entram, o queixo parece mais projetado e a distância entre o nariz e o queixo diminui. Não é só a falta dos dentes, é a falta do osso que ficava embaixo deles.
A dentadura removível também não resolve isso. Como ela se apoia na gengiva e não no osso, não devolve aquele estímulo. Em alguns casos, a pressão dela até acelera a reabsorção.
Quando o enxerto entra no plano
O implante precisa de osso em volta dele em altura e em espessura para ficar firme e durar. Quando o exame mostra que falta osso onde o implante precisa entrar, existem três caminhos: mudar a posição planejada, usar outra configuração de implantes, ou repor o osso que falta.
As situações que mais aparecem são:
- Uso de dentadura por muitos anos, principalmente na arcada de cima.
- Extração antiga em que a região ficou sem nada por bastante tempo.
- Doença de gengiva avançada no passado, que destruiu osso antes mesmo de o dente cair.
- Seio maxilar baixo, uma cavidade natural acima dos dentes de trás de cima que ocupa espaço quando o osso abaixo dela diminui.
Os tipos mais comuns
- Enxerto na própria região do implante. Repõe altura ou espessura onde falta, no mesmo lugar onde o implante vai entrar.
- Levantamento de seio maxilar. Feito na região de trás da arcada superior, cria altura de osso abaixo do seio para o implante ter onde se apoiar.
- Preservação após extração. Quando um dente é removido, o espaço pode ser preenchido no mesmo momento para reduzir a perda que viria depois. É o cenário mais confortável, e por isso vale perguntar sobre ele sempre que uma extração for necessária.
O material usado varia. Pode ser osso do próprio paciente, material de origem biológica processada ou material sintético, escolhido conforme o tamanho da área e o planejamento.
Como é o procedimento e o pós
É uma cirurgia feita com anestesia local, no consultório, como a instalação do implante. O pós-operatório se parece com o descrito em implante dentário dói?: desconforto e inchaço nos primeiros dias, controlados com a medicação prescrita.
A diferença principal está no tempo. O enxerto precisa amadurecer e virar osso capaz de segurar o implante, e isso leva meses. Em algumas situações o implante entra na mesma cirurgia do enxerto; em outras, é preciso esperar a região se consolidar antes.
Nos primeiros dias há um cuidado extra: nada de assoar o nariz com força quando o enxerto envolve o seio maxilar, nada de cuspir com força e nada de cigarro. Fumar é o fator que mais compromete o resultado de um enxerto.
Nem todo caso precisa
Descobrir que falta osso não significa automaticamente que haverá enxerto. Às vezes é possível planejar os implantes em posições diferentes, aproveitando as regiões onde ainda existe osso bom, ou usar uma configuração que distribui a prótese sobre outros pontos de apoio.
É por isso que o planejamento vem antes da proposta, e não depois. Duas clínicas podem olhar a mesma boca e propor caminhos diferentes, com custos e prazos diferentes. Você tem o direito de entender o porquê de cada escolha.
A reabsorção não para sozinha. Uma avaliação feita hoje costuma encontrar mais osso do que a mesma avaliação daqui a dois anos. Isso não é motivo para pressa nem para decisão apressada, mas é um motivo real para não deixar a consulta para depois.
Só o exame responde
Nenhum texto, foto ou conversa por telefone diz quanto osso você tem. Quem mostra isso é o exame de imagem, que revela altura, espessura, posição do nervo e do seio maxilar.
Na Odonto Gline a avaliação começa por aí, antes de qualquer proposta. Se o seu caso precisar de enxerto, isso é explicado com o motivo, a etapa e o prazo. Se não precisar, também.
Este texto tem finalidade informativa e não substitui uma consulta. Cada boca é diferente, e só o exame clínico com imagem mostra o que serve para o seu caso.
Dra. Glidislene SalvadorCirurgiã-dentista responsável pela Odonto Gline, em Santa Maria, DF. Atende no mesmo endereço há 18 anos, com foco em implante dentário e prótese protocolo.